Motivo da criação deste BLOG

Este BLOG foi criado e é administrado pela Juíza Maria Helena, que atuou como titular da Vara do Trabalho de Pederneiras desde sua instalação em outubro de 2005 até 07/02/2011, com o intuito de estreitar relações com nossos jurisdicionados e com os operadores do direito, tornando mais leve e agradável a convivência e, por consequência, menos árdua a tarefa de todos nós, para que possamos melhor realizar a atividade jurisdicional, reduzindo prazos para a efetividade da mesma e, também, informar de forma clara sobre questões que envolvam o Judiciário.























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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Despedida à colega Fátima Stern

Com a permissão do colega Montesso compartilho esta bela e justa homenagem feita pelo mesmo à colega Fátima, com quem pude conviver virtualmente, na nossa lista nacional, desde o início da mesma, quando a internet ainda nos parecia um bicho papão, e que muito nos deixou para ser aprendido, principalmente em termos de associatismo pois, como bem ressaltou o colega Montesso, Fátima deu a milhares de colegas seus melhores e maiores esforços na busca de uma sociedade melhor, de um direito do trabalho mais justo, de uma Justiça mais democrática e mais eficiente... Deu-se por inteira e de forma irremediável. .... Que a gente posssa aprender a ser um pouquinho como ela foi ....

Deus a acolha em sua infinita misericórdia !!!!

Assim se manifestou Cláudio Montesso ....

Fátima ... por Claudio Montesso, sexta, 18 de Novembro de 2011 às 19:37.

Fátima é uma pequena cidade portuguesa, onde no início do século passado três crianças viram a imagem de Maria no alto de um arbusto. Fátima é um nome deixado pela herança moura na Península Ibérica. Mas com a Maria, de Fátima, o nome se incorporou definitivamente na cultura católica do ocidente. E inúmeras Marias de Fátima surgiram em Portugal, no Brasil e nas colônias lusitanas. Minha família, católica como toda boa família de origem italiana, tem a sua. Como tem também a sua Rita de Cássia, outra figura santa, de menor envergadura que a Maria, mãe de Jesus. Essa é minha irmã de sangue. A única que tive fruto do amor de meus pais. E embora ela merecesse muitas elegias, não é sobre essa irmã que eu quero falar agora.

É sobre outra, que não foram meus pais que geraram, mas que a vida me deu de maneira muito generosa. Maria de Fátima, para muitos amigos só Fátima. Mas para muitos outros, inclusive desconhecidos, Fátima Stern, que como diz o teutônico sobrenome adquirido no amor por Joaquim, era uma Estrela. Com seu brilho iluminou minha vida.

Irmã que entrou na vida depois dos quarenta, mas vai ficar para sempre. Irmã mesmo, no mais profundo dos sentidos, irmã na comunhão do bem querer, na identidade de interesses, na simpatia, no amor um pelo outro. Irmã a quem se ama e com quem se briga, e muito e inúmeras vezes, como dois irmãos sempre fazem, mas que ao final, continuam se amando e compartilhando. Amor fraterno, que não se explica de forma muito fácil para vidas que se cruzam já na metade delas. Mas que se deve aprender a aproveitar cada instante como se fosse o último.

Deixamos a empatia natural aflorar na amizade permanente, na realização de coisas boas e importantes e na obsessão pelo trabalho coletivo e em prol do coletivo. Fátima deu a mim, mas também a milhares de colegas, seus melhores e maiores esforços na busca de uma sociedade melhor, de um direito do trabalho mais justo, de uma Justiça mais democrática e mais eficiente. Deu-se por inteira e de forma irremediável. Privou-se do marido, dos filhos, mas não se privou da neta.

Logo que a conheci tive contato com uma das suas mais marcantes características: a dedicação incondicional ao trabalho que realiza e sua elétrica forma de conduzir esse trabalho. Era a verdadeira e real negação do estereótipo preconceituoso que se tem dos baianos. Para ela nada ficava para depois, tudo era para antes e com isso ganhava simpatia e reconhecimento pela sua competência.


O que talvez muitos não soubessem que é que essa luta era travada para ajudar a enfrentar outra, da qual pouco se referia, para a qual nunca se entregou, nunca se deu por vencida. Não conheço a etimologia da palavra Fátima, mas não há maior sinônimo para a minha irmã Fátima do que guerreira. Há outro que poderia ser associado a esse, vitoriosa. Guerreira e vitoriosa.

Acompanhei, em parte do tempo, sua luta. De seu amado Joaquim, de seus filhos e de seus pais, de quem era filha única. Fui testemunha de seus anseios e de suas alegrias e frustrações. Há dois anos nos afastamos no espaço, mas mantivemos a proximidade na alma, como dois irmãos sempre fazem.
O destino lhe apresentou a dura luta pela vida de forma precoce e injusta. Não que ela a achasse injusta, éramos nós que assim achávamos. Nunca se queixou, nunca se permitiu a autocomiseração, nunca se deixou dizer fragilizada ou triste. E se em alguns momentos quis a vida lhe fraquejar, ela logo arrumava trabalho, para esquecer, para seguir em frente, para viver.

Uma vez eu disse aos seus pais que não sabia como agir quando ela se apresentava ao trabalho, pois ao mesmo tempo precisava, e muito, dela, mas não achava que estava abusando. Eles me disseram que isso a mantinha viva. Nunca mais me preocupei.

Por isso estou triste, mas ao mesmo tempo resignado, pois sei que seu sofrimento teve um fim. O nosso, ao contrário, aumenta. Nós partilharemos a saudade e a tristeza de sua ausência. Mas quando formos flagrados na solidão de nossas lembranças, alargaremos o sorriso lembrando sua alegria e sua vontade de viver. E encontraremos no seu exemplo e na sua luta, força para enfrentarmos as batalhas de todo dia. A dor de não poder mais estar com ela de maneira terrena, será sublimada pela certeza de que estará em paz e isso apaziguará nossos corações.

Fátima é uma pequena cidade portuguesa. Há milhares de Marias de Fátima pelo mundo. Mas Maria de Fátima, a Stern, é minha irmã de coração, e como Estrela, seu brilho jamais se apagará.

sábado, 6 de novembro de 2010

Despedida a uma colega

Preparava-se para estudar e trabalhar um pouco quando deparei-me com uma triste notícia em alguns canais em que circulam a magistratura trabalhista, dentre eles a lista dos juízes poetas, a qual frequento como 'olheira', pois é só o que a minha sensibilidade (ou preguiça) permite, já que não tenho habilidade para escrever versos, ao contrário da nossa querida colega Maria Josuíta Barros Machado, Juíza substituta da 22ª Região, morta em acidente automobilístico na tarde desta sexta(05), a quem homenageio com poesia de sua autoria, inserida na lista juizespoetas e, também, reproduzindo as belas e sábias palavras do querido colega Genésio Vivanco (que também perdeu um filho prematuramente), com quem trabalhei como servidora e que me deu a honra de ser parceiro de chapa da AMATRA, com quem muito e sempre aprendo, pois melhor eu não poderia fazer:

"Não tive o prazer de conhecer Josuíta pessoalmente. Mas tive a alegria de compartilhar esse espaço em que trocamos mensagens de fé e esperança na humanidade, através dos sonhos poéticos ou surrealistas do cancioneiro juiz. Ficamos um pouco mais pobres, em presença, mas muito mais rico em lembrança, da fortaleza de nossas emoções conjuntas que o livro da vida reuniu. Viramos mais uma página de nosso livro coletivo, mas o que lemos e sentimos até aqui, terá muito de Josuíta para nos unir ainda mais. Descanse em paz, Josuíta. Obrigado pelo que nos legou."

..... além de tudo, a sua poesia que assim você dedicou .........
 "UMA POESIA PARA BRINDAR A CHEGADA DA MINHA AMIGA...... "


SOBREVIVENTES

 
Não me vejo nos seus olhos, na febre de sua pele
E no mais puro dos seus sentimentos,
Desejos assimétricos nos embalam a alma,
e a vida parece ter sofrido uma forte mutação.

Nossos sonhos são singulares
Rompeu-se a conteslação,
No horizonte sombrio há uma bifurcação,
O caminho a seguir não permite nos avistar

Perdemo-nos
Mas, o eco da sua voz ainda grita aos meus ouvidos
Lembrando-me do amor que foi tolhido, da poesia incompleta
e dos frutos que não vingaram;

Restou, o encantamento do amor vivido
A nossa história .....
A madrugada clara para lembrar de nossas aventuras e desventuras

Sobrevivemos a nós e ao nosso amor.

Josuita
 ..... era assim que assinava na nossa lista e assim também escreveu ... "E a poesia é assim, não pode ter rumo certo, medida; ela brota, flui e parece que cada época ela tem sua roupagem própria e escolhe os seus portadores. ... Feliz semana a todos os poetas " 14/09/2010 - juizespoetas@


Aos familiares e amigos as minhas condolências e as minhas melhores vibrações e orações para que sejam amparados neste momento de dor incomparável, principalmente quando a separação se dá de forma tão drástica e prematura, esperando que todos sejam confortados pela fé no Senhor pois, tenho certeza que, nossa dedicada colega que perdeu a vida em acidente de trabalho, pode-se dizer, está sendo amparada e bem cuidada pelo nosso Pai Maior e Seus Auxiliares.

Também à colega Alba que a acompanhava e, pelo que soube, graças a Deus está fora de perigo, votos de pronto restabelecimento, com o amparo em nossas orações e na fé.

minha solidariedade e carinho a todos que necessitarem para que sintam-se assim abraçados